
Essa sua cadeira com verniz descascado não deixa o diálogo mais confortável. Porque você me olha espremendo explicações. Porque você em vão finge que também sente.
Quando na verdade o que verdadeiramente quero é que através da minha retina, tudo o que sinto seja dito ou transpassado como flecha - haste fina e longa, certeira.
Quando na verdade, pouco sei o que quero.
Quando mais ainda sob o signo de uma verdade, dentro ou através dela, muito sei do que sinto.
Essa sua cadeira, com tanto tempo de uso subexposto assim - maltrapilha, não deixa meu vocábulo mais bonito. Porque você em vão finge que também sente.
Quando na verdade o que honestamente não quero, é que esse gosto de café amargo escorrendo pelo canto da boca, lembrando uma lambida se graça no aço em fel, se torne protagonista.
Quando na verdade, você sabe o que não quero.


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