
Um cachorro acordado à solavancos pelo tempo. Pelo momento da chuva fina e gelada, que escorraçava do meio fio, à pontapés, o nobre cão. Animal de alma contundente e manias incômodas - piscava o olho castanho-esquerdo de minuto em minuto; latia para carros brancos, e não de outra cor; dormia em lugares abertos: era claustrofóbico o nobre cão.
Uma carta, no bolso dizia o seguinte: Com minhas meias verdades te fiz escravo. Com minhas meias verdades comi teu pão. Com minhas estranhas mentiras neguei teu sonho e com minhas muitas faces, te mandei embora.
Um bicho mordido, sangrado, debilitado e exausto, em tempos de outrora teria se enforcado com a elegante gravata - elegante, sim. Mas ainda mais fundo, noutros tempos antes dos de outrora, teria fugido enquanto ainda havia chance.
Que peste o amor!
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